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Dez lições básicas de como iniciar negócio de jornalismo hiperlocal

03/02/2011

No site The Online Journalism Review , um especialista em modelos de négócios sustentáveis (Pekka Pekkala), explica dez lições fundamentais para se começar a produzir sites de jornalismo hiperlocal. Segundo ele,  este tipo de atividade é muito procurada e está surgindo em toda parte.

Vejamos:

1. Ser bem sucedido não significa ser bonito.

Como exemplo, Pekkala sugeriu analisar o premiado WestSeattleBlog.com. O design é muito bonito, mas chama a atenção o ótimo conteúdo e anúncios de venda. Como resultado, o site proporcionou renda para Tracy Record e seu marido há dois anos. Não procurei sites brasileiros que correspondessem a descrição, mas farei em breve. Para Pekkala, às vezes você não precisa mesmo de um site e dá o exemplo de DavidsonNews.net, um site de notícias, que diz,  está perto de 100.000 dólares de receita por ano, e começou como uma newsletter.

2. Fazer coisas legais não precisa de ciência.

Se você pretende fazer jornalismo bom em seu blog de notícias, você provavelmente vai irritar alguém. Neste caso Pekkala sugere várias fontes de pesquisa de leis sobre direitos autorais, proteção de dados, como criar “termos e condições” de políticas, etc.  As recomendações que o consultor indica são para os americanos, óbvio, mas para o Brasil a conversa é outra, então faça a adequação.

3. Não existe a tal “coisa” de conteúdo gratuito.

Executar um website de bairro onde o cidadão comum produz conteúdos soa tentador, não? Cuidado, avisa o especialista. Conteúdo de relevância e qualidade é o que vai assegurar os seus anunciantes. Além do mais se não houver profissionalismo e remuneração, a idéia de seu site pode não dar certo. Voluntarios e entusiastas costumam ser inconstantes. Por isso, em posições chaves, contrate profissionais.

4. Siga os dados.

Quando os recursos são escassos, é bom saber onde se concentrar para atrair leitores. Programas de estatística e análise da internet, como o  Google Analytics, ajudam neste caso.  Com esses recursos você poderá direcionar seus anunciantes, informa Pekkala.

5. Concentre-se em como ganhar dinheiro.

Michele McLellan, consultora do Knight Center para mídias digitais disse que sua pesquisa no Reynolds Journalism Institute mostrou que aqueles que pensam sobre o faturamento no início do empreendimento geralmente são bem sucedidos, mesmo que haja alteração no modelo de negócios. É bom lembrar que os anunciantes não estão preocupados com o tamanho de sua empresa, mas sim a visibilidade que ela proporciona ao seu produto. Pekkala avisa que demora muito tempo para se consolidar uma marca e isso é importante, porque as decisões de compra do consumidor, sabe-se, não são feitas de forma racional.

6. Os anunciantes compram a sua audiência e não financiam as suas histórias.

Lembre-se, enfatiza o consultor,você não está vendendo palavras ou publicação para os anunciantes, mas a idéia de estar no centro da comunidade que é seu público alvo. É por isso que você tem que estar em toda parte nos meios de comunicação social e se livrar da idéia de que seu site é uma publicação. É apenas uma maneira de chegar e interagir com sua comunidade / clientes.

7. Subsídios e doações  não vem de graça.

Fundações são muito parecidas com os outros investidores. Eles esperam retorno de seus investimentos. Se eles têm uma missão, tenha certeza que a sua é  corresponder ao interesse de visibilidade deles.  As fundações  esperam que você tenha um modelo de negócio forte, parcerias e equipe administrativa competente. E alguns esperam que você seja auto-sustentável no período de  três a cinco anos.

8. Concentre-se em vários modelos de receita.

Ser sustentável na opinião de Pekkala exige muito mais do que a venda de anúncios. O seu empreendimento precisa ter mais de uma fonte de renda. Sinceramente, não sei exatamente quais possam ser  além de publicidade, eventos, serviço de projetos, doações, mas é um bom exercício tentar descobrir. Se alguém tiver sugestão socialize, se puder. Steve Buttry, diretor do “Envolvimento com a Comunidade” do TBD.com fez uma boa lista de fontes de receita. Vale conferir e dali tirar algumas idéias.

9. A tecnologia deve ser rápida e barata.

Pekkala dá a dica de que se a plataforma não é o que você vende, não perca seu tempo em construir um edifício. Ou seja, utilize o WordPress, Blogger ou Drupal. Deixe para os nerds a tarefa de cuidar dos códigos.

10. Pare de choramingar e apenas faça.

Rafat Ali, o fundador do paidContent.org, disse que os jornalistas passam muito tempo falando sobre 50 diferentes modelos de negócios disponíveis,  ou então reclamando sobre a falta de pagamento por notícia, em vez de fazer as coisas. “Sabe que a falta de acesso à grande mídia pode ser uma bênção?!” – opina Pekkala.  A sua conclusão é que o jornalista passa a ter o privilégio de não precisar se preocupar em agradar ninguém e pode escrever o que quiser, ou pelo menos quase tudo o que quiser.

Essas são as dicas de um profissional em modelos de negócios de tecnologia. A mim mesma, falta pesquisar algumas delas e verificar se são viáveis, mas acho que dá uma boa idéia de como começar um negócio de site hiperlocal ou comunitário.

3 Comentários leave one →
  1. MPAULO AGUIAR "The Little Journalist" permalink
    22/09/2011 20:33

    Muito obrigado por todas estas dica, para dizer que gostei e vou continuar a pesquisar uma vez que estou a fazer o neu primeiro ano de Jornalismo. Por favor qualquer que seja a noticia nao hesite em enviar para o meu e-mail que e: mpauloaguiar@hotmail.com. Abracos de MPAULO AGUIAR “The Little Journalist”

    • 22/09/2011 20:33

      Muito bom vc ter gostado Paulo. Veja tb jornalismo público que é um tema transversal ao jornalismo hiperlocal. Abs.

  2. Mpaulo Aguiar permalink
    01/12/2016 20:33

    Olá Sra. Luciana Ferreira, tudo bem? Como estás?
    Como analisas o jornalismo mundial? Em particular no seu país e no meu Angola…

    Graças a DEUS, já conclui o ensino superior de Licenciatura no curso de Jornalimo. Assim sendo, pretendo fazer o mestrado, portanto qual área (especialização) me aconselhas fazer?

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