fake-news-destaque-menorUm misto de entusiamo, surpresa e preocupação com o que tem ocorrido nas redes sociais relacionado às notícias falsas foram as reações dos participantes da palestra sobre fake news na Uneb – Campus X, no último dia 27 de setembro. O evento foi promovido pela Associação dos Docentes da Universidade do Estado da Bahia (Aduneb) na cidades de Teixeira de Freitas, região sul do Estado.

A palestra “Disseminação de notícias falsas. O que tenho a ver com isso?”, ministrada pela pesquisadora em comunicação digital e Gestora de Comunicação na  Txt.Com Consultoria de Comunicação e Pesquisa Luciana Ferreira, foi o gancho para discutir sobre a responsabilidade das pessoas com as mentiras disseminadas nas redes sociais e as proporções negativas que têm alcançado.

A ocorrência e disseminação de notícias falsas não é invenção do século XXI. Praticada desde que existam pessoas e interesses pessoais em jogo, é uma atividade antiga e era mais conhecida por “fofoca”. Mas a prática de espalhar mentiras tornou-se profissional e sistematizada, extremamente perigosa por ganhar terreno fértil nas mídias sociais que tem o poder de espalhar uma mentira de forma extremamente rápida e danosa.

A proposta da Aduneb foi fazer um  “Dia de mobilização política” para promover a conscientização política da comunidade universitária e da cidade. Este evento, segundo a Professora Assistente na Uneb, Cristiane Gomes, teve a intenção de abordar as questões cívicas que envolvem a universidade e a comunidade, mostrando que “a valorização da educação, da classe trabalhadora e da comunicação ética são caminhos que se cruzam para superarmos a crise institucional em que estamos presos”, conclui.

A desinformação, prática comum nas redes sociais através de notícias falsas, tem alcançado proporções aos milhões de pessoas no Brasil e como essas mídias sociais atualmente já ultrapassam as mídias tradicionais, quando o interesse é consumo de notícias, é importante voltar a atenção ao que tem acontecido na comunicação através das redes.

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Luciana Ferreira. Doutora em Ciências da Comunciação. Consultora na Txt.Com Comunicação e Pesquisa

Os usuários das mídias sociais precisam conhecer um pouco mais deste veículo que utilizam como meio de comunicação, pois se antes o público era apenas consumidor de notícias, agora também é produtor de conteúdos, e sem as cobranças éticas dos profissionais de mídia. Assim ficam as pessoas se sentido livres de responsabilidade sobre o que disseminam.

A indústria das fake news

Além do agravante de difamar pessoas e organizações como nos exemplos de informações falsas como “O Juiz Sergio Moro é filiado ao PSDB”, “Gilberto Gil chamou Moro de juizinho fajuto”, “Hillary Clinton participa de seitas satanistas”, pessoas e empresas tem ganhado muito dinheiro com a prática na indução de tráfego e ganhos financeiros com anúncios via Google AdSense, por exemplo.

Para ampliar esse mercado existe ainda toda uma rede de robôs que ajudam a elevar a reputação de um site ou uma empresa, colocando suas páginas ou aplicativos, mesmo que falsas, em posições melhores, seja no Google, ou na Apple Store. Além dos robôs, existe ainda algo intrínseco à natureza humana, que corrobora todo o processo de aceitação de uma informação seja verdadeira ou falsa: a chamada dissonância cognitiva, teoria desenvolvida por Leon Festinger, professor da New School for Social Research de Nova York, o qual explica a existência, nos indivíduos, da necessidade de procurar uma coerência entre suas opiniões ou crenças. Ou seja, o que importa não é saber a verdade, mas dar eco as próprias crenças, mesmo que elas estejam equivocadas.

 

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