Responsabilidade, ética e inovação!

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Esta semana li um ótimo artigo, análise de um professor do curso de Jornalismo da Newmark J-School. em New York. Ele fala, entre outras coisas, das possibilidades reais e maravilhosas que as tecnologias trouxeram para reinventar o jornalismo, a comunicação mediada. Nenhuma novidade, claro. Mas o fato é que poucas foram as transformações sociais reais na sociedade, advinda das novas tecnologias da comunicação. 

Vejamos o caso do jornalismo brasileiro. Apesar de todas as possibilidades tecnológicas da comunicação digital, o jornalismo tradicional no Brasil, capturado pelos grupos privados e familiares, foi e ainda é ponto chave para influenciar a opinião pública, fomentando ódio e violência, e mais uma vez comprometendo a democracia do país. 

Não vou falar sobre isso agora porque, mas do que um pequeno artigo, é tema de uma enciclopédia tentar entender o “Brasil 2018” na virada para a extrema-direita. O resultado foi a eleição de um candidato fascista para o Executivo, e que se transformou num incômodo imenso para o país. O que gostaria de focar é nas possibilidades comunicativas que o professor Jeef Jarvis discorreu em seu artigo na Medium, e que vale a pena comentar e registrar aqui.

Penso que a maior contribuição do seu artigo é mostrar que o foco das transformações está nas pessoas. Primeiro ele pontuou a necessidade de se entender que a Rede não é um meio de transmissão de mensagens apenas. É um meio de conexão. Conecta pessoas umas as outras, pessoas com informações, e informações com informações. Possibilita a conversação. “Essa conversa é a deliberação coletiva de uma democracia”, diz Jarvis.

A sua proposta é que se deve ensinar os alunos de jornalismo a usar as ferramentas que a rede os permite ouvir antes de criar. Ouvir não é algo que uma máquina possa fazer. É humano, mas temos ouvido pouco uns aos outros. A compulsão é por falar, falar, se mostrar… Assim, ao ouvir, coisas importantes podem acontecer para os novos jornalistas e os públicos. Assim, seguem cinco propostas velhas e novas:

A primeira trata-se de cinco verbos. (a) observar comunidades e mercados e suas necessidades e desejos; (b) procurar comunidades que não conhecem; (c) criar empatia com essas comunidades; (d) refletir o que eles aprendem com esse público e colaborar com ele; (e) e algo imprescindível em tempos de fakenews, servir a verdade, especialmente quando desconfortável.

A segunda proposta é valorizar a diversidade. Agora a maioria das pessoas que estão conectadas – podem falar. Novas vozes que nunca foram representadas na mídia podem ser ouvidas. É verdade que o cenário da comunicação anda meio caótico, mas não deixa de ser uma oportunidade de realmente investir na educação midiática, acreditar que a maioria das pessoas podem discernir a verdade da mentira.

Terceiro, decretar “morte à massa“. Os setores das mídias de massa têm grande dificuldade em romper com o hábito de vender para “a massa”. Esses produtos eram de tamanho único para todos, e os lucros dependiam de escala. Agora as mídias devem conhecer e servir as pessoas como indivíduos e membros das comunidades que são leais aos seus costumes e gostos. 

1-Ética
Responsabilidade, ética, inovação.

A quarta proposta, e uma das mais importantes, é focar na ética. É preciso estabelecer rigorosamente os princípios e padrões éticos de todos os setores da mídia em torno dessas idéias de conexão, conversação, comunidade, colaboração, diversidade, impacto, serviço, responsabilidade e empoderamento. Devemos perguntar como estamos ajudando as comunidades a melhorar suas vidas. Trabalhar de forma transparente e ser responsáveis ​​perante essas comunidades.

A quinta proposta do professor Jarvis, fala sobre ensinar a mudança. Na educação para a mídia, isso tende a significar ensinar os alunos a aprenderem a usar novas ferramentas à medida que chegam, o que é importante. Mas, é claro, também é vital ensinar os alunos a mudar a industria da comunicação. Inovar, inventar, abordar problemas com soluções, encontrar oportunidades de interrupção, serem líderes.

O grande desafio entretanto, está no nível estratégico. Como capacitar a geração atual para “salvar” a mídia reinventando-a, para chocar e encantar de forma responsável? A sugestão do professor Jarvis, e concordo com ele, é prestar atenção as diferenças entre o jornalismo com foco externo (informando ao mundo sobre uma comunidade, como sempre foi feito) e trocar pelo jornalismo com foco interno (atendendo às necessidades de informação da comunidade, como podemos fazer agora).

Na teoria do Capital Social, quando se observa, ouve e constrói relacionamentos com as comunidades, priorizando a reciprocidade e confiança, antes de qualquer medida técnica, a compreensão e apoio (inclusive financeiro) é um ganho potencial. É preciso questionar, olhar o passado, acordar o presente para o futuro ser construído diferente e melhor.