Estamos em tempo difíceis, quando o pessimismo é quem dá o tom e parece que nada mais tem solução ou algo de bom acontece. O jornalismo têm dado sua participação ativa para esta visão de mundo distópica, quando dá voz e visibilidade a distorções sociais, políticas, etc, com grande inclinação para a desestabilização do que chamamos de mundo civilizado.

O “Red/Acción” jornal online da Argentina, lançado recentemente (2018) decidiu ir contra essa onde pessimista e experimenta um modelo de negócio relativamente novo para o jornalismo atual, que envolve um programa de associação (membresía), ou seja, participação do público na construção de conteúdos, ajuda com a sua manutenção e propostas de soluções para as denuncias ou problemas relatados.

A ideia principal parte da premissa de que estamos todos intoxicados com informação e desinformação, o que pode conduzir as pessoas por se desinteressarem por notícias. Uma pesquisa da Pew Research Center, em 2018  revelou que quase sete em cada dez norte- americanos se sentiam exaustos e esgotados pela “enxurrada” de informações. Outras pesquisas também corroboram para a possível tendência de “evitar notícias” em todo o mundo. O Digital News Report de 2017 do Instituto Reuters descobriu que pode chegar a 57 o percentual das populações em todo o mundo que dizem “às vezes” ou “muitas vezes” evitarem as notícias, geralmente porque não confiam nelas ou acham que a informação irá pertubá-las. 

A proposta do Red/Acción em seus princípios editoriais é construir um novo meio, com um olhar mais construtivo, porque segundo ele, o excesso de negatividade está desconectando as pessoas da realidade e principalmente da responsabilidade como parte de uma comunidade. E esta responsabilidade não deve ser só com a comunidade, mas também com a verdade dos fatos. Eles convidam para a participação em um meio que não diz apenas o que está acontecendo, mas também convida para a ação. 

Essa é uma reflexão que precisa ser urgentemente ampliada pois está agora evidente que a sobrevivência do planeta e seus habitantes depende da participação e ação responsável de cada pessoa no mundo. O jornalismo precisa mudar seu foco de ação destrutiva para construtiva. Me parece que essa é a ideia, proposta e ação do Red/Acción: fazer jornalismo humano! Que este projeto prospere e seja modelo para muitos outros pelo mundo.